maria fumaça campinas

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A Maria Fumaça em Campinas é um dos mais expressivos patrimônios ferroviários ligados à história de Campinas e de sua região. Mais do que um trem preservado, ela representa a permanência de um trecho da antiga malha da Companhia Mogiana, decisiva para o escoamento do café e para a formação econômica do interior paulista.

Seu valor, portanto, vai muito além do fascínio despertado pela locomotiva a vapor. O que se preserva ali é uma memória material do tempo em que os trilhos ajudavam a desenhar o território, aproximar fazendas e impulsionar o crescimento da cidade.

Imagem: Acervo ABPF

Estações, locomotivas, carros ferroviários, oficinas e paisagens rurais formam um acervo raro. Esse conjunto permite compreender, de maneira concreta, como a ferrovia se articulou ao ciclo do café e como Campinas ocupou posição estratégica nesse processo.

Assim, a Maria Fumaça não deve ser vista apenas como uma lembrança afetiva do passado, mas como um elo vivo entre a história urbana, a arquitetura ferroviária e a paisagem campineira.

Imagem: Firmino Piton - Acervo Prefeitura de Campinas

Viação Férrea Campinas Jaguariúna (VFCJ)

Breve histórico – criação da primeira regional da ABPF e do primeiro museu dinâmico

A Regional de Campinas foi a primeira regional da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF) e nasceu justamente para dar forma ao primeiro museu dinâmico da entidade. Foi a partir dessa iniciativa que se estruturou a preservação do trecho entre a Estação Anhumas, em Campinas, e a Estação Jaguariúna, em Jaguariúna.

Imagem: Acervo ABPF

O leito ferroviário preservado tem origem na antiga linha-tronco da Mogiana, cujo primeiro trecho entrou em operação em 1875. Ao longo das décadas, a linha passou por sucessivas retificações, que alteraram seu traçado e substituíram estações antigas por novas versões em pontos diferentes. A partir de 1971, a ferrovia passou a integrar a Fepasa. Mais tarde, com o declínio do transporte ferroviário e com a perda de força do café como eixo dominante da economia regional, o trecho foi fechado em 1977.

O que hoje se vê como patrimônio deve muito ao esforço da ABPF para restaurar e preservar linhas ferroviárias, locomotivas a vapor e estações antigas. Em 1981, a atuação da associação devolveu vida a estações antes abandonadas, recuperou áreas ferroviárias e deu novo sentido histórico ao antigo ramal. Portanto, a VFCJ não nasceu apenas como operação de passeio. Ela surgiu, antes de tudo, como uma ação concreta de salvaguarda da memória ferroviária campineira.

Acervo

O acervo da VFCJ é amplo e reúne diferentes camadas de valor histórico. Ele inclui estações, trilhos, carros de passageiros, locomotivas, vagões, oficinas e depósitos. Em Carlos Gomes, por exemplo, concentram-se as oficinas e os espaços de guarda onde são realizados trabalhos de restauração de locomotivas, carros e vagões. Esse aspecto é importante porque mostra que a preservação não se resume à exibição de peças antigas. Trata-se de um patrimônio que continua sendo cuidado, estudado e mantido em funcionamento.

Além disso, o acervo ajuda a compreender a lógica da ferrovia no interior paulista. As estruturas preservadas revelam como se davam o embarque de mercadorias, a circulação de passageiros e a relação direta entre os trilhos e a produção cafeeira. Por isso, o conjunto da Maria Fumaça guarda um patrimônio ao mesmo tempo técnico, arquitetônico e cultural.

Estações (Trajeto)

O trajeto da Viação Férrea Campinas Jaguariúna passa por seis estações: Anhumas, Pedro Américo, Tanquinho, Desembargador Furtado, Carlos Gomes e Jaguariúna. Em conjunto, elas ajudam a reconstituir a geografia da antiga ferrovia e o modo como o território se organizava em torno dos trilhos. Com exceção de Jaguariúna, todas as estações do percurso se localizam em Campinas.

Estação Anhumas

A Estação Anhumas foi inaugurada em 12 de outubro de 1926, substituindo a estação antiga, aberta em 3 de maio de 1875 na linha original. Com a retificação do trecho, o novo edifício foi implantado a cerca de 200 metros da estação anterior, que mais tarde seria demolida. Durante anos, Anhumas operou com um grande pátio de três linhas e absorveu parte da sobrecarga da estação Guanabara. Depois, com o enfraquecimento do transporte ferroviário, especialmente do café, o pátio foi reduzido até que, em 1977, a linha foi fechada e a estação caiu em abandono.

Imagem: Firmino Piton - Acervo Prefeitura de Campinas

Em 1981, com o trabalho da Regional de Campinas da ABPF, Anhumas foi restaurada. Desde 1984, passou a servir como estação inicial de embarque da Maria Fumaça e também como escritório da associação. Além disso, tornou-se cenário frequente para filmagens de época, como novelas, filmes e comerciais de televisão.

Quanto à origem do nome “Anhumas”, não há uma explicação única. Uma das versões o relaciona às aves migratórias conhecidas como anhumas. Outra o vincula à antiga sesmaria de mesmo nome, posteriormente dividida em fazendas. Há ainda a interpretação de que a estação recebeu esse nome por estar próxima ao Ribeirão das Anhumas.

Imagens: Acervo ABPF

Estação Pedro Américo

A Estação Pedro Américo foi aberta em 12 de outubro de 1926 pela então Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, com a inauguração do primeiro trecho da variante Guanabara-Guedes, no lugar do antigo Posto Telegráfico Gety, que ficava na linha original. Em 1963, foi fechada e transformada em parada. Mais tarde, com a retração do transporte ferroviário, o pátio foi reduzido até o fechamento da linha, em 1977.

Imagem: Acervo ABPF

Quando a ABPF recebeu a estação e as casas do entorno, em 1981, o conjunto estava em péssimo estado de conservação. A recuperação do local foi sendo feita aos poucos, graças ao esforço de associados que formaram a sociedade Amigos de Pedro Américo. Em 2005, o trabalho de restauração foi concluído. O pátio, que originalmente tinha três linhas, passou então a contar apenas com uma linha de passagem.

O nome Pedro Américo homenageia o proprietário da Fazenda São Pedro, Pedro Américo de Camargo Andrade. Seu filho, Antonio Americo, doou as terras à Companhia Mogiana sob a condição de que o nome do pai fosse dado à estação. Curiosamente, nos mapas iniciais do projeto de mudança da linha, a futura estação aparecia com o nome de Jaty. Somente durante as obras, iniciadas em 1922, o nome definitivo passou a ser Pedro Américo.

Estação Tanquinho

A Estação Tanquinho foi inaugurada em 12 de outubro de 1926 para substituir a antiga estação de 1875, desativada com a construção da variante Guanabara-Guedes. A nova estação foi implantada muito próxima da anterior, que ainda pode ser vista do outro lado da linha e hoje serve como depósito de fazenda.

Imagem: Acervo ABPF

Com o passar do tempo e a redução do transporte ferroviário, sobretudo do café, o pátio foi sendo reduzido até a desativação da linha e da estação, por volta de 1973. Em 1981, no entanto, com a atuação da ABPF e a restauração do prédio, Tanquinho voltou a integrar a operação do trem histórico. Atualmente, ali funciona o Museu das Telecomunicações.

Também em relação ao nome da estação não há uma explicação única. Uma hipótese diz que “Tanquinho” deriva da quantidade de tanques naturais existentes no local. Outra sugere que o nome surgiu em razão do posto de lavagem dos vagões-gaiola usados no transporte de gado.

Estação Desembargador Furtado

A Estação Desembargador Furtado foi aberta em 18 de novembro de 1929, no lugar da antiga estação inaugurada em 1º de outubro de 1901 na linha original. O novo trecho entre Tanquinho e a estação foi mantido quase sobre o leito anterior, próximo a uma ponte sobre o Rio Atibaia. A antiga estação e a linha anterior foram demolidas.

Imagem: Acervo ABPF

Em 1957, a estação foi fechada pela Companhia Mogiana. Como aconteceu com outras paradas do trajeto, o pátio foi sendo reduzido com o declínio do transporte ferroviário até o fechamento da linha, em 1977. Em 1981, a Viação Férrea Campinas Jaguariúna passou a cuidar da estação e a operar o trecho para fins históricos e turísticos. No entanto, o prédio entrou em litígio de posse e não pôde ser incorporado à ABPF. Por isso, é a única estação do acervo que ainda não foi restaurada.

Seu nome homenageia o Desembargador Furtado, um dos proprietários da Fazenda Duas Pontes, responsável pela construção da estação após negociações com a Companhia Mogiana. No século 19, a fazenda era a maior produtora de café de Campinas e também a que mais escoava o produto pela ferrovia.

Estação Carlos Gomes

A Estação Carlos Gomes foi inaugurada em 18 de novembro de 1929 pela Companhia Mogiana, substituindo a linha antiga, aberta em 1º de janeiro de 1888 com o nome Matto Dentro, quando a retificação do trecho foi concluída. A estação anterior permanece no mesmo local, a cerca de três quilômetros da nova.

Renomeada como Carlos Gomes em 1896, a estação possuía um grande pátio com cinco linhas, uma delas destinada ao embarque de pedras, gado e café. Em 1968, foi fechada e transformada em parada. Mais tarde, com o enfraquecimento do transporte ferroviário, o pátio foi reduzido até o fechamento definitivo da linha, em 1977.

Imagem: Acervo ABPF

Em 1981, a Regional de Campinas da ABPF restaurou toda a estação e passou a operar o trecho com a Maria Fumaça. Em 2020, um incêndio atingiu a plataforma, danificando também uma locomotiva e vários carros de passageiros estacionados no local. A estrutura foi restaurada e a estação voltou a ser reinaugurada no início de 2024. Nos últimos anos, o conjunto recuperou inclusive as cores da década de 1970.

Carlos Gomes abriga hoje parte importante do acervo da ABPF, além das oficinas de restauração de carros, vagões e locomotivas. O nome da estação homenageia o maestro e compositor Antônio Carlos Gomes, nascido em Campinas em 1836.

Estação Jaguariúna

A Estação Jaguariúna, ponto final do trajeto, foi inaugurada em 15 de dezembro de 1945 no lugar da antiga estação de Jaguari, aberta em 3 de maio de 1875 na linha original. A estação anterior foi desativada depois de ficar fora do leito com a construção da variante Guanabara-Guedes.

O prédio da nova estação foi projetado por Manoel Amadeu Gomes de Soutello, segundo relato de seu filho, Luiz Haroldo Gomes de Soutello, e apresenta estilo semelhante ao de outras estações da Mogiana construídas nos anos 1920, como Guanabara e Anhumas. Devido ao fluxo da época, Jaguariúna possuía um grande pátio. Com o fim do tráfego na linha e a construção da nova variante Boa Vista-Guedes, porém, o movimento foi diminuindo até o fechamento da linha, em 1977.

Imagem: Acervo ABPF

Em 1981, a ABPF reativou a antiga estação para servir como estação de passageiros e depósito de locomotivas, carros e vagões do trem histórico. No entanto, divergências com a prefeitura de Jaguariúna, entre 1983 e 1984, levaram à retirada dos trilhos a partir da ponte do Rio Jaguari e à remoção do material ferroviário para Carlos Gomes. Como solução provisória, foi construída uma pequena estação chamada Jaguari, onde o trem chegava e retornava de ré.

Somente em 2006, com a construção de um viaduto e o prolongamento da linha até o edifício histórico, os trilhos voltaram a chegar à estação. Reformas anteriores haviam descaracterizado parte da construção original, mas o prédio foi restaurado em 2000, recuperando sua feição histórica. Em frente à estação, uma velha locomotiva fica exposta como lembrança do tempo de ouro da ferrovia.

Imagem: Acervo ABPF

Além de estação ferroviária, o edifício de Jaguariúna já abrigou outros usos, como biblioteca e sala de música.

O nome atual remonta ao Decreto-Lei nº 14.344, de 30 de novembro de 1944, quando o Conselho Nacional de Geografia alterou o nome da cidade de Jaguari para Jaguariúna e determinou que a estação acompanhasse essa mudança.

Carros

Os carros históricos também ocupam lugar central no acervo da Maria Fumaça Campinas. Os mais de 60 veículos restaurados ajudam a revelar como a experiência ferroviária era marcada por usos distintos, diferentes graus de conforto e soluções técnicas próprias de cada época. Não são apenas meios de transporte preservados, mas objetos que ajudam a contar a história material da ferrovia.

Imagens: Acervo ABPF

Entre os destaques está o carro panorâmico de administração, equipado com poltronas reclináveis e giratórias, mesas e grandes janelas, características que remetem aos antigos carros de luxo utilizados pela alta administração ferroviária. Há também o carro-restaurante de luxo, de 1913, restaurado de acordo com as características originais de época e capaz de preservar uma ambiência rara no universo ferroviário brasileiro. Outro item singular é o vagão Caboose panorâmico, adaptado a partir de um veículo utilizado em trens de carga e valorizado pela vista ampla da linha.

Em conjunto, esses carros ajudam a entender que a ferrovia também era um espaço social. Neles se percebem hierarquias, funções e maneiras de viajar que fizeram parte da vida ferroviária por décadas.

Locomotivas

As locomotivas são, talvez, os itens mais emblemáticos do acervo. Mais de 20 máquinas restauradas fazem parte do conjunto preservado. Ainda assim, seu valor vai além do impacto visual. Elas guardam a memória industrial de um período em que as ferrovias eram centrais para o transporte do café, para a circulação de pessoas e para o desenvolvimento econômico de cidades do interior paulista.

Imagens: Acervo ABPF

O acervo da Regional de Campinas inclui locomotivas mantidas e restauradas nas oficinas da ABPF, na Estação Carlos Gomes. Em experiências específicas, o visitante também pode acompanhar a viagem na locomotiva, o que reforça o caráter vivo desse patrimônio e aproxima o público do universo técnico da ferrovia.

Fazendas

Falar da Maria Fumaça Campinas também é falar das fazendas que moldaram a paisagem e motivaram a implantação do primeiro trecho da Estrada de Ferro Mogiana, ligando Campinas a Jaguariúna, em 1872. As paradas do antigo ramal foram definidas em função das grandes propriedades produtoras de café da região, responsáveis por escoar a produção até o porto de Santos. Desse modo, o trajeto ferroviário não pode ser separado da história agrícola e econômica do entorno.

Atualmente, o acervo do museu inclui três fazendas: a Granja São Quirino, a Fazenda Santa Maria e a Fazenda São Vicente.

Fazenda Santa Maria - Imagem: Acervo ABPF

A Granja São Quirino é a primeira fazenda do percurso. Ela surgiu da divisão da sesmaria Anhumas e, desde 1900, pertence à família Coutinho Nogueira, proprietária da EPTV Campinas, afiliada da Rede Globo. Antigamente, a propriedade produzia café e leite. Hoje, dedica-se à cana-de-açúcar e à criação de gado.

A Fazenda Santa Maria, antiga Fazenda Tanquinho, também surgiu da divisão da sesmaria Anhumas. Pertenceu ao barão de Anhumas, Manuel Carlos Aranha, e depois a seu filho, José de Queirós Aranha. A fazenda foi referência no cultivo do café, cuja produção era escoada pela Estação Tanquinho – a maior estação do passeio. Com a crise de 1929, acabou vendida ao empresário Hebert Levy, que manteve a produção cafeeira até sua morte, em 2002. Atualmente, partes da propriedade vêm sendo destinadas à expansão imobiliária.

Imagem: Firmino Piton - Acervo Prefeitura de Campinas

A Fazenda São Vicente foi parte da antiga Fazendinha, um dos maiores latifúndios da região, pertencente ao brigadeiro Luiz Antônio de Sousa Queirós. Por herança, a propriedade passou a Vicente de Souza Queirós, o barão de Limeira, e a sua esposa, Francisca de Paula Souza, a baronesa de Limeira. Com a morte do marido, a baronesa assumiu a propriedade em sociedade com os filhos. Mais tarde, em 1900, dividiu as terras entre os herdeiros, dando origem à Fazenda São Vicente, que, naquele período, se tornou uma das maiores produtoras de café de Campinas.

Hoje, a propriedade passou a cultivar cana-de-açúcar e a abrigar outras atividades, como criação de peixes e cavalos árabes no Haras Albar, instalado em seu interior.

Em 20 de junho de 2003, o Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (CONDEPACC) abriu processo ad referendum de estudo de tombamento de parte do leito férreo da antiga Estrada de Ferro Mogiana, incluindo nesse processo a Fazenda São Vicente, o trecho de mata nativa ao redor e a Estação Pedro Américo.

Passeios

Informações gerais

Como a Maria Fumaça Campinas funciona como um museu dinâmico, os passeios cumprem papel importante na aproximação do público com esse patrimônio. É por meio deles que os visitantes conhecem trens centenários, estações, oficinas da ABPF e algumas das grandes fazendas de café do século 19 que integram o acervo do museu. Ao mesmo tempo, o trajeto oferece uma experiência concreta da história ferroviária da região de Campinas e Jaguariúna.

Em mais de 40 anos de operação, a Maria Fumaça passou a oferecer diferentes modalidades de passeio, com saídas de Campinas ou Jaguariúna, além de opções voltadas a excursões, eventos e experiências especiais.

Imagem: Firmino Piton - Acervo Prefeitura de Campinas

Passeios partindo de Campinas

Nos passeios com saída de Campinas, o embarque ocorre na Estação Anhumas. O trem é composto por locomotivas de diferentes épocas e, quando necessário, locomotivas históricas a diesel podem substituir as antigas máquinas a vapor, tanto por razões de segurança quanto por preservação ambiental nas áreas rurais atravessadas pela linha. Em períodos de seca, inclusive, os passeios podem ser suspensos em razão do risco de queimadas. Nesse caso, a estação continua aberta para visita, mas os trens ficam apenas para exposição.

Imagem: Firmino Piton - Acervo Prefeitura de Campinas

A operação oferece quatro modalidades com saída de Campinas: o meio passeio, o passeio com café, o passeio com almoço e happy hour e o passeio completo. Em linhas gerais, os roteiros variam entre o trajeto parcial até Tanquinho, de 12 quilômetros, e o percurso integral até Jaguariúna, de 25 quilômetros, sempre atravessando o conjunto ferroviário preservado pela VFCJ. Alguns formatos incluem serviço de bordo e maior permanência na estação de destino. Outros priorizam a experiência do percurso e o contato com as estações históricas.

Imagem: Firmino Piton - Acervo Prefeitura de Campinas

Passeios partindo de Jaguariúna

A partir de Jaguariúna, a Maria Fumaça oferece opções mais curtas. Os mini passeios ligam Jaguariúna à Estação Carlos Gomes em um percurso de 6 quilômetros. Durante a viagem, os passageiros podem observar o Viaduto Maria Fumaça, o Rio Jaguary e antigas fazendas cafeeiras da região.

Ao chegar a Carlos Gomes, o visitante entra em contato com outro aspecto importante do acervo: o funcionamento da locomotiva a vapor e as oficinas de restauração da ABPF. Depois disso, o trem retorna a Jaguariúna. Há opções no período da manhã e da tarde.

Fazenda Santa Maria - Imagem: Acervo ABPF

Passeios sob demanda

A Maria Fumaça Campinas também oferece modalidades sob demanda, como excursões, locação de carros e experiências especiais. Esses formatos ampliam os usos contemporâneos do trem histórico e, ao mesmo tempo, ajudam a sustentar a preservação ferroviária.

Nas excursões, grupos podem realizar o trajeto completo entre Campinas e Jaguariúna, acompanhados por monitores que apresentam a história da ferrovia e das regiões cortadas pela linha. Há também a possibilidade de realizar eventos em carros de passageiros e de locação de composições especiais, como o vagão Caboose panorâmico, o carro-restaurante de luxo e o carro panorâmico de administração.

Outra experiência singular é a viagem na locomotiva, em que o visitante acompanha a equipe do museu e conhece mais de perto os comandos, controles e a rotina operacional de uma máquina histórica.

Projetos

Os projetos ligados à Maria Fumaça Campinas ampliam o alcance cultural do acervo. Entre eles, estão ações relacionadas à preservação, à difusão da memória ferroviária e ao uso do conjunto como espaço de educação patrimonial. Esse caráter é reforçado pelas oficinas de restauro, pela manutenção constante do material histórico e pela própria lógica do museu dinâmico, que preserva o patrimônio em funcionamento.

Além disso, o conteúdo educativo associado ao conjunto permite abordar temas como a importância da ferrovia no tempo do café, a expansão cafeeira na região de Campinas, a história da Companhia Mogiana e a comparação entre antigos meios de transporte e de comunicação. Isso mostra que a Maria Fumaça não preserva apenas objetos, mas também narrativas essenciais para entender a história do interior paulista.

Filmagens e ensaios fotográficos

A Maria Fumaça também disponibiliza locomotivas, carros de passageiros, estações e fazendas para ensaios fotográficos e filmagens. Não por acaso, o espaço já serviu de cenário para novelas, filmes e campanhas publicitárias.

Entre as produções que utilizaram o acervo estão novelas como Terra Nostra, Cabocla, Sinhá Moça, Esperança, Cúmplices de um Resgate e Chocolate com Pimenta, filmes como Menino da Porteira e Chico Xavier; além de comerciais de marcas conhecidas, como a Boticário.

Turismo escolar pedagógico

Outro projeto importante é o turismo escolar pedagógico. A proposta é oferecer passeios que complementem o ensino em sala de aula, da educação infantil ao ensino superior, com temas ligados à história, geografia, cultura e meio ambiente.

As viagens são acompanhadas por monitores, professores ou voluntários, que apresentam o funcionamento do material ferroviário e abordam temas como a história do trem, a expansão cafeeira no oeste paulista, a criação da Companhia Mogiana e a arquitetura da época. São oferecidos diferentes roteiros, que podem ser adaptados conforme o perfil de cada grupo.

Lojinha da Maria Fumaça

Nas lojinhas do museu, na Estação Anhumas ou dentro do trem, os visitantes encontram produtos ligados à memória ferroviária, como miniaturas de trens, camisetas, canecas e chaveiros.

Restauração e conservação

Na Estação Carlos Gomes ficam as oficinas da ABPF, onde são realizados os trabalhos de conservação e restauro dos trens do museu. Para ajudar a sustentar esse trabalho, a associação também aceita doações de pessoas físicas e empresas.

ABPF

Histórico

A Associação Brasileira de Preservação Ferroviária foi fundada em 1977 pelo francês Patrick Henri Ferdinand Dollinger. Preocupado com o abandono da história ferroviária do Brasil, ele decidiu criar uma entidade de preservação inspirada em iniciativas existentes na Europa e nos Estados Unidos.

Para encontrar interessados, publicou em fevereiro de 1977 um pequeno anúncio no jornal O Estado de São Paulo, convocando pessoas dispostas a participar de uma associação voltada à preservação, restauração e operação de locomotivas a vapor e de assuntos ferroviários em geral.

A esse chamado responderam Sérgio José Romano e Juarez Spaletta. A partir daí, novos contatos foram sendo feitos, até que, em 4 de setembro de 1977, ocorreu a assembleia de fundação da ABPF.

A primeira grande ação da associação foi criar uma campanha nacional para impedir que locomotivas a vapor fossem sucateadas. Com isso, a entidade conseguiu o apoio da Rede Ferroviária Federal, que cedeu 13 locomotivas desativadas para o acervo. A segunda grande medida foi garantir um ramal ferroviário desativado para receber esse material. Após estudar diferentes trechos, Dollinger escolheu a antiga linha-tronco da Companhia Mogiana entre Anhumas e Jaguariúna, que, , em 1979, foi cedida em comodato à ABPF pela Ferrovias Paulistas S.A. (Fepasa).

Patrick Dollinger - Imagem: Acervo ABPF

Foi nesse trecho que começou o trabalho de restauração da via, das locomotivas, dos carros de passageiros, dos vagões e das estações. Em setembro de 1984, esse esforço se consolidou com a criação da Viação Férrea Campinas-Jaguariúna, a primeira ferrovia histórica e o primeiro museu dinâmico da ABPF e do Brasil.

Patrick Dollinger faleceu em 17 de julho de 1986, sem ver plenamente realizado o alcance do projeto que ajudou a iniciar. Ainda assim, seu trabalho deixou bases duradouras. Hoje, a ABPF é uma OSCIP com milhares de associados e regionais espalhadas pelo país, atuando no resgate e na conservação do patrimônio histórico ferroviário brasileiro.

Divulgação antiga do passeio da Maria Fumaça - Imagem: Centro de Memória - Unicamp

Além da Maria Fumaça Campinas, a associação mantém outros museus dinâmicos em cidades como Guararema, São Paulo e Paranapiacaba, em São Paulo, Passa Quatro e São Lourenço, em Minas Gerais, Morretes, no Paraná, e Apiúna, Piratuba e Rio Negrinho, em Santa Catarina. Em todos esses locais, são preservadas locomotivas, vagões, carros históricos, estações, equipamentos e a própria via férrea.

O que a ABPF faz

A atuação da ABPF vai muito além da operação do trem. A entidade mantém oficinas, restaura locomotivas, carros e vagões, conserva estações e cuida da manutenção do trecho ferroviário preservado. Esse trabalho é essencial porque o patrimônio ferroviário exige conhecimento técnico contínuo e dedicação permanente à conservação material e histórica do acervo.

Núcleos regionais e trechos ferroviários

No caso da Maria Fumaça Campinas, a regional responsável é a de Campinas, que atua nas cidades de Campinas e Jaguariúna e mantém as oficinas de Carlos Gomes. É essa estrutura regional que sustenta a operação da VFCJ e garante a continuidade do trabalho de preservação ao longo do trecho.

Além da Regional de Campinas, a ABPF conta com a Regional de São Paulo, a Regional do Sul de Minas, a Regional do Paraná, a Regional de Santa Catarina e o Núcleo de Estudos Oeste de Minas.

Informações úteis

Localização: endereços das estações Anhumas e Jaguariúna

Os principais pontos de referência do trecho preservado são:

Estação Anhumas
Av. Dr. Antônio Duarte Conceição, 1501 – Campinas/SP

Estação Jaguariúna
Av. Jaguary, 600 – Jaguariúna/SP

Contato: telefones e e-mails

Para reservas, informações sobre passeios, aluguel de carros ou assuntos relacionados ao acervo, os canais de contato são:

Telefones:
(19) 99779-1080
(19) 99580-7144

E-mails:
museu.campinas@abpf.com.br
campinas@abpf.com.br

Sites

Mais informações sobre a ABPF, seus projetos e museus dinâmicos, assim como sobre a Maria Fumaça Campinas, podem ser encontradas nos canais institucionais das duas entidades.

abpf.com.br

mariafumacacampinas.com.br

Bibliografia e referências

  • Acervo online ABPF
  • Site Maria Fumaça
  • Centro de Memória da Unicamp